A amputação transradial acontece através do rádio e da ulna, abaixo do cotovelo. É o nível mais frequente de amputação de membro superior — e o de melhor prognóstico funcional, porque preserva o cotovelo.

01Função e autonomiaObjetivos definidos em conjunto
02Tecnologia adequadaComponentes para cada necessidade
03Treino funcionalAdaptação às tarefas do dia a dia
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Este é o seu caso?

Provavelmente sim, se:

  • A amputação foi no antebraço, abaixo do cotovelo
  • Você consegue dobrar e esticar o cotovelo do lado amputado
  • Existe um coto de antebraço, de comprimento variável
  • No laudo aparece “amputação transradial” ou “amputação de antebraço”

O comprimento do coto influencia bastante:

  • Coto longo — mais de dois terços do antebraço. Preserva parte da pronossupinação — o giro do antebraço — e oferece boa alavanca.
  • Coto médio — cerca de metade. Situação mais comum, com bom equilíbrio.
  • Coto curto — menos de um terço. Perde a pronossupinação, exige encaixe com contenção acima do cotovelo e o espaço para eletrodos fica reduzido.
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Por que preservar o cotovelo muda tanto

O cotovelo é quem posiciona a mão no espaço. Preservado:

  • A prótese precisa substituir menos funções, o que simplifica muito o controle
  • O peso do equipamento é menor
  • O aprendizado é mais rápido
  • O uso funcional no dia a dia é maior
  • As taxas de abandono da prótese são menores que nos níveis acima do cotovelo
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Causas

  • Trauma — é a causa dominante nesse nível. Acidentes com máquinas agrícolas e industriais, prensas, serras, acidentes de trânsito, choque elétrico, queimaduras.
  • Infecção grave
  • Tumores
  • Malformação congênita — a deficiência transversal de antebraço é a malformação de membro mais comum
  • Complicações vasculares
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Prótese indicada

Estética passiva — em silicone de alta fidelidade, com pigmentação personalizada. Leve e confortável. Funciona como apoio e estabilizador de objetos.

Acionada por cabo — arnês em oito, com cabo que abre e fecha o terminal a partir da flexão do ombro. Resistente, com retorno sensorial pela tensão, indicada para trabalho pesado, ambiente rural e uso em condições adversas.

Mioelétrica — este é o nível em que ela funciona melhor. Eletrodos sobre os flexores e extensores do antebraço captam a contração: contrair os flexores fecha a mão, contrair os extensores abre. É um comando intuitivo, que muitos usuários aprendem com relativa rapidez.

Mão multiarticulada — cada dedo com motor próprio, permitindo diferentes padrões de pegada. Custo elevado e exige treino consistente.

Encaixes

  • Encaixe tipo Münster — envolve o cotovelo, indicado em cotos curtos, com boa suspensão à custa de alguma limitação de flexão
  • Encaixe tipo Northwestern — permite maior amplitude do cotovelo, para cotos médios e longos
  • Encaixe de contato total com liner — distribui a pressão e melhora o conforto

Suspensão — arnês, suspensão supracondiliana, liner com pino ou sucção.

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Reabilitação

  • Antes da prótese: controle de edema, dessensibilização, prevenção de contratura do cotovelo, fortalecimento
  • Treino de sinais mioelétricos — contração isolada de flexores e extensores, muitas vezes com biofeedback antes da prótese chegar. Este treino prévio faz diferença grande no resultado.
  • Treino de controle da prótese — abrir, fechar, graduar a força, girar o punho
  • Terapia ocupacional — tarefas bimanuais: abrir garrafa, cortar alimento, amarrar cadarço, escrever, digitar, dirigir
  • Retorno ao trabalho com adaptações
  • Proteção do membro preservado
Orientações rápidas

Perguntas frequentes

Prótese mioelétrica funciona mesmo?

Nesse nível, é onde ela dá o melhor resultado. O comando é intuitivo e a maioria das pessoas com sinais adequados aprende bem. Mas ela não devolve tato, é sensível à água e ao suor, precisa de bateria e exige manutenção. Expectativa clara desde o início é o que evita frustração.

Quanto tempo até usar bem?

O básico em algumas semanas. Uso funcional fluido em alguns meses, com treino consistente. Quem faz o treino de sinais antes da prótese ficar pronta costuma evoluir mais rápido.

Posso trabalhar com máquinas usando prótese?

Depende da máquina e do sistema. Próteses por cabo são mais indicadas para ambientes adversos. Segurança do trabalho deve ser avaliada caso a caso.

Consigo dirigir?

Sim, geralmente com adaptação no volante e a habilitação com as observações necessárias.

Gancho ou mão?

Qual escolher? Depende da prioridade. O gancho costuma ser mais funcional para tarefas práticas; a mão tem melhor aparência. Muita gente mantém os dois terminais e troca conforme a situação.

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Charles Oliveira Costa, fisioterapeuta e diretor clínico da 4Bionic
Conteúdo revisado por Charles Oliveira Costa

Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.

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