A amputação de membro inferior é classificada pelo osso ou pela articulação onde a cirurgia foi realizada. Essa classificação não é burocracia médica: ela determina quais articulações a prótese precisará substituir e, em consequência, quanta energia você vai gastar para caminhar.
A regra que governa tudo: quanto mais distal, melhor
Existe um princípio central na reabilitação de amputados de membro inferior. Quanto mais baixa a amputação, menor o gasto energético para caminhar e melhor o prognóstico funcional.
A literatura de reabilitação estima aumentos aproximados no custo energético da marcha em relação a uma pessoa sem amputação:
- Amputação parcial de pé: aumento pequeno, muitas vezes quase imperceptível
- Transtibial: em torno de 20% a 25% a mais
- Transfemoral: em torno de 50% a 70% a mais
- Desarticulação de quadril e hemipelvectomia: acima de 80% a mais
Esses números são médias da literatura e variam muito conforme idade, condicionamento, causa da amputação e qualidade da prótese. Mas eles explicam algo importante: o cirurgião sempre tenta preservar o máximo de membro possível, e especialmente tenta preservar o joelho.
Os níveis, do mais alto ao mais distal
Hemipelvectomia — remoção do membro inferior junto com parte ou toda a metade da bacia. É o nível mais alto que existe.
Desarticulação de quadril — o fêmur é retirado inteiro na articulação do quadril, mas a bacia é preservada.
Transfemoral — a secção acontece através do fêmur, entre o quadril e o joelho. Popularmente, “acima do joelho”.
Desarticulação de joelho — o fêmur é preservado inteiro e a secção ocorre na articulação do joelho.
Transtibial — a secção acontece através da tíbia e da fíbula, abaixo do joelho. É o nível mais comum de amputação de membro inferior.
Syme — desarticulação do tornozelo com preservação do coxim gorduroso do calcanhar.
Chopart — desarticulação no meio do pé, entre os ossos do retropé e do mediopé.
Lisfranc — desarticulação na base dos metatarsos.
Transmetatarsiana — secção através dos ossos metatarsais, removendo o antepé.
Amputação de artelhos — perda de um ou mais dedos do pé.
Principais causas
No Brasil, as amputações de membro inferior têm como causas mais frequentes:
- Doença vascular periférica e diabetes — a causa mais comum, especialmente acima dos 60 anos. Costuma resultar em amputações de pé, transtibiais e transfemorais.
- Trauma — acidentes de trânsito, acidentes de trabalho, ferimentos por arma. Predomina em homens jovens.
- Infecção grave — osteomielite, fasciíte necrotizante, sepse.
- Tumores ósseos e de partes moles — osteossarcoma, sarcoma de Ewing. Mais frequente em adolescentes e adultos jovens, e a principal causa dos níveis muito altos.
- Malformações congênitas — a pessoa nasce com ausência parcial ou total do membro.
O que acontece depois da cirurgia
Independentemente do nível, o caminho segue etapas parecidas:
- Cicatrização e cuidado com o coto — controle de edema, enfaixamento, cuidado com a ferida
- Fase pré-protetização — fortalecimento, prevenção de contraturas, dessensibilização, treino de transferências
- Molde e confecção da prótese — o encaixe é feito sob medida
- Treino de marcha — aprender a usar a prótese com segurança
- Ajustes e acompanhamento — o coto muda de volume ao longo do tempo e a prótese precisa acompanhar

Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.
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