O pé diabético é a principal causa de amputação de membro inferior não traumática no Brasil. E a maior parte dessas amputações começa da mesma forma: uma ferida que a pessoa não sentiu se formar.

Órteses e calçados adequados são das intervenções mais eficazes e de melhor custo-benefício na prevenção dessa sequência.

01Avaliação individualIndicação conforme a necessidade
02Conforto e suporteAdaptação e uso correto
03AcompanhamentoRevisões e ajustes periódicos
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Por que o pé diabético é diferente

Três alterações se combinam:

Neuropatia — a perda de sensibilidade faz com que a pessoa não sinta a pressão excessiva, o atrito, a pedra dentro do sapato ou a bolha se formando. O sinal de alarme que protege o pé simplesmente não chega.

Deformidade — a neuropatia também afeta os nervos motores, desequilibrando a musculatura do pé. Surgem dedos em garra, proeminência das cabeças dos metatarsos e, em casos avançados, o pé de Charcot, com colapso do arco. Cada deformidade cria um novo ponto de pressão.

Doença vascular — a circulação comprometida faz com que qualquer ferida cicatrize com dificuldade e infeccione com facilidade.

O resultado: uma pressão que um pé normal sentiria e corrigiria em segundos permanece por horas, formando calo, depois bolha, depois úlcera. Como não dói, a pessoa continua andando sobre ela.

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O princípio do tratamento: descarga de pressão

Todo o cuidado ortopédico do pé diabético gira em torno de uma ideia: tirar a carga das áreas de risco e distribuí-la pelas áreas que toleram.

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Dispositivos indicados

Palmilha de acomodação sob medida

O item mais importante. Feita a partir de molde do pé, em material que se conforma à anatomia e distribui a pressão. Ao contrário das palmilhas corretivas, ela não tenta corrigir — ela acomoda a deformidade existente e alivia os pontos críticos.

Pode incluir alívios específicos, com rebaixos na região de uma úlcera ou de uma calosidade recorrente.

Calçado terapêutico

  • Câmara ampla e profunda para acomodar deformidades e a palmilha
  • Interior sem costuras que possam gerar atrito
  • Contraforte firme, para estabilizar o retropé
  • Solado em balancim, que reduz a pressão sobre o antepé durante o passo
  • Biqueira alta, acomodando dedos em garra

Órtese suropodálica (AFO)

Indicada quando há pé caído associado à neuropatia, instabilidade de tornozelo ou pé de Charcot em fase inicial.

Órtese tipo CROW (Charcot Restraint Orthotic Walker)

Dispositivo rígido em concha total, indicado no pé de Charcot. Envolve o pé e a perna, imobilizando e distribuindo a carga por toda a superfície, protegendo a estrutura óssea durante a fase ativa da doença.

Dispositivos de descarga para úlcera ativa

Quando já existe úlcera, o tratamento exige retirar completamente a carga da região. Isso pode ser feito com órtese removível, gesso de contato total ou dispositivos específicos, conforme a indicação da equipe que trata a ferida.

Prótese ou palmilha após amputação parcial

Depois de amputação de dedo, transmetatarsiana, Lisfranc ou Chopart, a palmilha com preenchimento passa a ser essencial para redistribuir a carga que mudou de lugar.

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O autocuidado diário

Nenhum dispositivo funciona sozinho:

  • Inspecione os pés todos os dias, incluindo entre os dedos e a sola, usando espelho ou pedindo ajuda
  • Nunca ande descalço, nem dentro de casa, nem por poucos passos
  • Confira o interior do calçado com a mão antes de calçar
  • Não use bolsa de água quente nem aqueça os pés próximo a fontes de calor
  • Não corte calos nem use calicidas — procure profissional
  • Corte as unhas retas, sem cavar os cantos
  • Hidrate a pele, evitando o espaço entre os dedos
  • Procure o serviço imediatamente ao ver qualquer ferida, bolha, mudança de cor, inchaço ou calor local
  • Controle glicêmico — é a base de tudo
Orientações rápidas

Perguntas frequentes

Se eu não sinto dor, preciso mesmo de palmilha?

Sim — e justamente por isso. A ausência de dor indica neuropatia, que é o principal fator de risco para úlcera. A palmilha é preventiva.

Palmilha de farmácia serve?

Não para pé diabético com neuropatia ou deformidade. Palmilha genérica pode criar novos pontos de pressão. Nesse caso, sob medida não é preferência, é indicação.

Com que frequência trocar a palmilha?

O material comprime e perde a capacidade de amortecer com o uso. Revisão periódica é necessária, e o intervalo deve ser definido pela equipe conforme peso, atividade e material.

Já tenho uma úlcera. Palmilha resolve?

Úlcera ativa exige tratamento específico de descarga, geralmente mais rigoroso que uma palmilha comum, junto com o cuidado da ferida. Procure o serviço.

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Charles Oliveira Costa, fisioterapeuta e diretor clínico da 4Bionic
Conteúdo revisado por Charles Oliveira Costa

Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.

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