Quando você procura um joelho ou um pé protético, a primeira informação da ficha técnica não é preço nem material: é o grau de mobilidade. É ele que determina quais componentes fazem sentido para você — e entender isso evita gastar com o que não corresponde ao seu perfil.
O que é
O grau de mobilidade classifica o potencial funcional da pessoa amputada. Não descreve só o que você faz hoje: considera o que você tem condições de alcançar com a prótese adequada e reabilitação.
A avaliação é da equipe — médico, fisioterapeuta e protetista — e considera condicionamento cardiovascular, equilíbrio, força, nível de amputação, estado do coto, comorbidades, ambiente e objetivos.
Os quatro níveis
Grau 1 — Deslocamento em ambiente interno. Uso para transferências e deslocamentos curtos dentro de casa, em piso plano, velocidade constante. Prioridade dos componentes: segurança e estabilidade. Típico: joelhos com freio ou trava, pés com bom amortecimento.
Grau 2 — Deslocamento externo limitado. A pessoa sai de casa, supera pequenas barreiras como meio-fio e degraus, mas percorre distâncias limitadas em velocidade praticamente constante. Típico: joelhos com boa estabilidade no apoio, pés com alguma adaptação ao terreno.
Grau 3 — Deslocamento externo irrestrito. Circula sem restrição de ambiente, varia a velocidade, percorre distâncias longas, enfrenta terrenos variados. Típico: joelhos hidráulicos ou microprocessados, pés com retorno de energia.
Grau 4 — Deslocamento externo irrestrito com exigências elevadas. Tudo do grau 3 mais esporte, trabalho pesado, cargas de impacto altas. Típico: componentes de alto desempenho e peças esportivas específicas.
Nota à equipe: confirmem a redação oficial de cada nível no material da Ottobock antes de publicar.
Por que isso mexe no seu bolso
Componente acima do seu grau não entrega o que promete. Um joelho microprocessado de alto desempenho em alguém de grau 1 não gera marcha ativa — as funções que justificam o preço dependem de capacidade funcional que precisa existir.
Componente abaixo do seu grau limita você. Alguém com potencial de grau 3 usando joelho com trava terá marcha rígida e cansativa, e vai concluir que “prótese não funciona” quando o problema era o componente.
Acertar o grau é o que faz o investimento valer.
O grau pode mudar
E muda com frequência. Quem sai da cirurgia no grau 1 pode, com meses de reabilitação consistente, evoluir para grau 2 ou 3. Por isso a primeira prótese costuma ser provisória, e a definitiva vem depois que o potencial real aparece.
Perguntas frequentes
Quem define o meu grau?
A equipe que te acompanha, em avaliação conjunta. Não é um número que se escolhe nem se define por telefone.
Posso usar componente de grau maior?
Às vezes é tecnicamente possível, mas costuma ser mau investimento. Vale discutir abertamente na avaliação.
Meu grau melhora com fisioterapia?
Frequentemente sim. Ganho de força, equilíbrio e condicionamento aumenta o potencial funcional.

Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.
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