A amputação transumeral é a que ocorre através do úmero, entre o ombro e o cotovelo. É a chamada “amputação acima do cotovelo”.
Este é o seu caso?
Provavelmente sim, se:
- A amputação foi no braço, acima do cotovelo
- Existe um coto de braço, de comprimento variável
- Você não tem mais a articulação do cotovelo do lado amputado
- No laudo aparece “amputação transumeral” ou “amputação de braço”
O comprimento do coto é relevante:
- Coto longo — mais de metade do úmero preservado. Melhor alavanca, melhor controle e maior superfície para eletrodos.
- Coto médio — situação mais comum
- Coto curto — menos de um terço do úmero. Suspensão e controle mais difíceis, encaixe precisa envolver o ombro.
O que muda por perder o cotovelo
O cotovelo posiciona a mão no espaço. Sem ele, a prótese precisa substituir três funções: flexão e extensão do cotovelo, rotação do antebraço e abertura e fechamento da mão.
Controlar três funções com os sinais disponíveis exige que a pessoa aprenda um sistema de comandos — geralmente sequencial, alternando entre articulações. É o que torna a reabilitação desse nível mais longa.
Causas
- Trauma de alta energia: acidentes de trabalho com máquinas, acidentes de trânsito, choque elétrico
- Tumores do úmero
- Infecção profunda
- Complicações vasculares
- Malformação congênita
Prótese indicada
Estética — leve, discreta, boa aparência, sem função ativa. Serve de apoio e estabilização.
Acionada por cabo — arnês em oito nos ombros. A flexão do ombro traciona o cabo, flexionando o cotovelo. Um comando de trava fixa o cotovelo no ângulo desejado e o mesmo cabo passa a acionar o terminal. Robusta, com retorno sensorial pela tensão do cabo e boa para trabalho pesado.
Mioelétrica — eletrodos sobre bíceps e tríceps remanescentes captam a contração. Cotovelo e mão eletrônicos. Dispensa arnês em muitos casos, mas é mais pesada e sensível à água.
Híbrida — a combinação mais usada nesse nível: cotovelo acionado por cabo, que é leve e confiável, e mão mioelétrica, que oferece boa preensão. Equilibra peso, custo e função.
Componentes
- Encaixe envolvendo o úmero, com contenção sobre o ombro em cotos curtos
- Suspensão por arnês, sucção ou liner
- Cotovelo protético com trava em múltiplos ângulos
- Unidade de punho, com rotação manual ou motorizada
- Terminal: mão protética, mão multiarticulada ou gancho
Reabilitação
- Antes da prótese: controle de edema, dessensibilização, prevenção de contratura de ombro, fortalecimento de escápula e tronco
- Treino de sinais: se a opção for mioelétrica, treino de contração isolada de bíceps e tríceps antes mesmo da prótese ficar pronta
- Treino de controle sequencial: alternar entre cotovelo, punho e mão
- Terapia ocupacional: tarefas bimanuais, alimentação, higiene, vestuário, escrita
- Proteção do membro preservado, prevenindo lesão por sobrecarga
- Manejo de dor fantasma
Perguntas frequentes
Qual prótese é melhor para mim?
Depende do que você quer fazer. Trabalho pesado ou ambiente com água e poeira favorece o sistema por cabo. Uso em escritório e prioridade estética favorece o mioelétrico. Muita gente termina com a solução híbrida. Traga suas tarefas específicas para a avaliação — é isso que define a escolha.
Quanto tempo até usar bem a prótese?
Semanas para o básico, meses para uso funcional consistente. É o treino, mais que o equipamento, que determina o resultado.
A prótese devolve o tato?
Não. Nenhum sistema disponível comercialmente devolve sensibilidade tátil. Sistemas por cabo oferecem um retorno indireto pela tensão, que ajuda a graduar a força.
Consigo trabalhar com a prótese?
Muitas pessoas retornam ao trabalho. O tipo de atividade define o sistema mais adequado e as adaptações necessárias.
Conteúdos relacionados

Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.
Atendimento em Belo Horizonte
Converse com a equipe da 4Bionic
Tire suas dúvidas e agende uma avaliação individual para entender as opções adequadas ao seu caso.