Na desarticulação de cotovelo, a amputação ocorre exatamente na articulação: o úmero é preservado por completo, incluindo os epicôndilos — as saliências ósseas de cada lado do cotovelo.
Este é o seu caso?
Provavelmente sim, se:
- A amputação foi na altura do cotovelo
- O coto termina com uma extremidade larga, formada pelos epicôndilos do úmero
- Você consegue girar o braço (rotação interna e externa) com bom controle
- No laudo aparece “desarticulação de cotovelo” ou “desarticulação umeroulnar”
As vantagens deste nível
- Suspensão anatômica — o alargamento dos epicôndilos trava a prótese naturalmente. Isso reduz ou elimina a necessidade de arnês, o que aumenta bastante o conforto.
- Rotação umeral preservada — o giro do braço é transmitido diretamente à prótese, sem precisar de mecanismo rotatório. É uma vantagem funcional real, porque posicionar a mão no espaço fica mais natural.
- Alavanca máxima — o úmero inteiro dá o melhor controle possível entre os níveis acima do cotovelo
- Menos componentes ativos necessários, o que reduz peso e custo
A desvantagem: o comprimento
O mesmo problema geométrico da desarticulação de joelho. Como o úmero foi preservado inteiro, o cotovelo protético precisa ser montado abaixo do nível do cotovelo natural, o que deixa o antebraço protético mais longo que o outro lado.
A solução é o uso de cotovelos externos de perfil fino, projetados para esse nível, montados nas laterais do encaixe em vez de na extremidade.
Causas
- Trauma do antebraço com preservação do braço
- Tumores da região proximal do antebraço
- Infecção grave do antebraço
- Em crianças, é um nível às vezes preferido por preservar a placa de crescimento do úmero
Prótese indicada
- Encaixe — envolve o braço e se fecha sobre os epicôndilos, geralmente com parede flexível ou janela para permitir a entrada da extremidade alargada
- Cotovelo externo de perfil fino, com trava em múltiplos ângulos
- Unidade de punho — muitas vezes dispensa rotação motorizada, já que a rotação umeral natural cumpre parte da função
- Terminal — mão protética, mão multiarticulada ou gancho
- Sistema de acionamento — por cabo, mioelétrico ou híbrido, conforme o objetivo
Reabilitação
- Fortalecimento de ombro, escápula e tronco
- Treino de rotação umeral, aproveitando a vantagem do nível
- Dessensibilização e cuidado com a pele sobre os epicôndilos, que recebem pressão do encaixe
- Treino de controle do cotovelo protético
- Terapia ocupacional para tarefas bimanuais
- Proteção do membro preservado
Perguntas frequentes
Meu braço protético vai ficar mais comprido que o outro?
Com cotovelo de perfil fino a diferença fica pequena. Comente essa preocupação na avaliação — ela é legítima e influencia a escolha do componente.
Preciso de arnês?
Na maioria dos casos, não. A suspensão pelos epicôndilos costuma ser suficiente, o que é uma vantagem grande de conforto.
Consigo usar prótese mioelétrica?
Sim, desde que haja musculatura remanescente com sinal adequado. A avaliação de sinais define a viabilidade.
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Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.
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