
A amputação de Boyd é uma variante da amputação ao nível do tornozelo, em que o pé é removido mas o calcâneo — o osso do calcanhar — é preservado e fundido cirurgicamente à tíbia.
É menos conhecida que a amputação de Syme, e frequentemente confundida com ela. A diferença é importante.
Este é o seu caso?
Provavelmente sim, se:
- O pé foi removido, mas a perna foi preservada até a altura do tornozelo
- O coto termina com extremidade alargada e você apoia peso diretamente nela
- No laudo aparece “amputação de Boyd” ou “artrodese calcaneotibial”
Boyd e Syme: qual a diferença
Ambas removem o pé preservando o coxim gorduroso do calcanhar — a almofada natural que suporta o peso do corpo. A diferença está no osso.
Na amputação de Syme, o calcâneo é removido e o coxim gorduroso é rebatido para cobrir a extremidade da tíbia. O coxim fica apoiado sobre a tíbia, sem estar preso a nada além dos tecidos moles.
Na amputação de Boyd, o calcâneo é mantido e fundido à tíbia por artrodese. O coxim permanece na sua posição anatômica original, ainda ligado ao osso ao qual sempre esteve.
A vantagem prática do Boyd: o coxim não migra. Um dos problemas conhecidos da amputação de Syme é o deslocamento do coxim gorduroso para o lado ao longo do tempo, o que faz o apoio deixar de ser confortável e pode exigir reoperação. Como no Boyd o coxim continua fixado ao calcâneo e o calcâneo está fundido à tíbia, esse deslocamento não ocorre.
A desvantagem: o coto fica mais longo, porque a altura do calcâneo se soma à da tíbia. Isso reduz o espaço disponível entre a extremidade do coto e o chão, limitando as opções de pé protético e deixando a prótese mais volumosa na região do tornozelo.
Há ainda um ponto de atenção: como envolve fusão óssea, existe a possibilidade de a artrodese não consolidar, o que exigiria nova abordagem. Isso faz parte da conversa com o cirurgião.
Causas e indicações
- Deficiência congênita de membro inferior, especialmente hemimelia fibular grave
- Trauma com destruição do pé e preservação do tornozelo
- Infecção grave do pé
- Tumores do pé
- Complicações do pé diabético, quando há circulação adequada no calcanhar
É um nível frequentemente considerado em crianças, por dois motivos: preserva a placa de crescimento distal da tíbia, permitindo que o membro continue crescendo, e evita o problema do sobrecrescimento ósseo, que afeta amputações feitas através do osso.
Prótese indicada
- Encaixe tipo Syme, com janela removível ou parede flexível — necessário porque a extremidade é mais larga que a região logo acima
- Pé protético de perfil muito baixo, desenvolvido para nichos com pouco espaço
- Suspensão — geralmente autossuspensa pela própria conformação óssea, dispensando cintos
- Em crianças, acompanhamento frequente e trocas conforme o crescimento
Reabilitação
- Treino progressivo de descarga direta na extremidade
- Cuidado com a pele do coxim, que recebe carga em posição ligeiramente diferente da original
- Verificação de alinhamento, para não sobrecarregar áreas específicas
- Fortalecimento de perna, quadril e tronco
- Treino de marcha, que costuma evoluir rápido pelo bom apoio terminal
Como o comprimento do membro é quase total, o gasto energético para caminhar aumenta pouco. Muitas pessoas conseguem deslocamentos curtos dentro de casa sem a prótese — uma autonomia que faz grande diferença à noite e no banho.
Perguntas frequentes
Boyd é melhor que Syme?
Tem a vantagem de evitar a migração do coxim, o que é um problema real na Syme. Em contrapartida, deixa o coto mais longo e limita a escolha do pé protético. A decisão é do cirurgião e depende da anatomia e do objetivo.
Vou conseguir andar sem prótese dentro de casa?
Muitas pessoas conseguem, por distâncias curtas. Confirme com a equipe se é seguro no seu caso — apoio inadequado repetido pode machucar a pele.
A prótese vai ficar aparente?
Pode ficar um pouco mais volumosa na região do tornozelo, pela limitação de espaço. Revestimentos cosméticos ajudam.
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Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.
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