A amputação de Pirogoff é uma variante rara das amputações ao nível do tornozelo. Nela, o pé é removido, uma porção do calcâneo é seccionada, rodada e fundida à tíbia, preservando o coxim gorduroso do calcanhar na extremidade do coto.
É pouco realizada e você provavelmente não encontrou explicação sobre ela em nenhum outro lugar.
Este é o seu caso?
Provavelmente sim, se:
- O pé foi removido na altura do tornozelo
- O coto termina com extremidade que suporta peso diretamente
- No laudo aparece “amputação de Pirogoff” ou “artrodese tibiocalcaneana com rotação”
A lógica da técnica
As três amputações ao nível do tornozelo — Syme, Boyd e Pirogoff — perseguem o mesmo objetivo: manter o coxim gorduroso do calcanhar na extremidade do coto, porque essa almofada de tecido é a única estrutura do corpo naturalmente projetada para receber a carga do peso corporal.
O que muda entre elas é o que se faz com o calcâneo:
A rotação na Pirogoff reposiciona o coxim de forma a ficar diretamente sob a tíbia, criando uma superfície de apoio terminal estável. O comprimento resultante fica entre o da Syme e o do Boyd.
Vantagens e limitações
A favor:
- Apoio terminal direto e estável, com o coxim mantido em posição
- Preservação de bom comprimento do membro, com gasto energético baixo para caminhar
- Autonomia sem prótese para deslocamentos curtos dentro de casa
- Menos risco de migração do coxim do que na Syme
Contra:
- Técnica mais complexa e menos difundida, com menos cirurgiões familiarizados
- Depende de consolidação da artrodese — se a fusão não pega, é preciso nova abordagem
- Coto longo limita a escolha do pé protético
- Literatura menos extensa que a das outras técnicas
Causas e indicações
- Trauma com destruição do pé e preservação do tornozelo
- Infecção grave do pé
- Complicações do pé diabético com circulação preservada no calcanhar
- Tumores do pé
- Casos em que o cirurgião busca apoio terminal com preservação de comprimento
Prótese indicada
- Encaixe de Syme, com janela removível ou parede flexível para permitir a entrada da extremidade alargada
- Pé protético de perfil muito baixo
- Suspensão autossuspensa pela conformação óssea, geralmente sem necessidade de cintos
- Revestimento cosmético, quando a diferença de volume no tornozelo incomodar
Reabilitação
- Descarga progressiva na extremidade, respeitando o tempo de consolidação da artrodese
- Inspeção rigorosa da pele sobre o coxim
- Verificação de alinhamento, essencial para distribuir a carga adequadamente
- Fortalecimento de perna, quadril e tronco
- Treino de marcha, com boa evolução na maioria dos casos
Perguntas frequentes
Nunca ouvi falar dessa amputação. É segura?
É uma técnica estabelecida na literatura, embora pouco realizada. Se ela foi indicada para você, houve uma razão anatômica específica. Vale conversar com o cirurgião sobre o porquê da escolha — entender ajuda muito na adesão ao tratamento.
Vou conseguir apoiar o peso na ponta do coto?
Esse é justamente o objetivo da técnica. O apoio terminal costuma ser bom, respeitando o tempo de consolidação da fusão óssea.
Qual a diferença para Syme e Boyd?
As três preservam o coxim do calcanhar. A diferença está no manejo do calcâneo: removido na Syme, preservado inteiro no Boyd, parcialmente preservado e rodado na Pirogoff. Isso altera o comprimento final e a estabilidade do apoio.
Conteúdos relacionados

Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.
Atendimento em Belo Horizonte
Converse com a equipe da 4Bionic
Tire suas dúvidas e agende uma avaliação individual para entender as opções adequadas ao seu caso.