A hemimelia fibular — também chamada de deficiência longitudinal da fíbula — é a ausência total ou parcial da fíbula, o osso mais fino da perna. É a deficiência longitudinal mais comum do membro inferior.
Apesar do nome apontar para a fíbula, a condição raramente se limita a ela.
Este é o caso do seu filho?
Provavelmente sim, se:
- Uma perna é visivelmente mais curta que a outra desde o nascimento
- O pé do lado afetado está virado para fora ou para cima, ou tem dedos a menos — frequentemente faltam o quarto e o quinto dedos
- Há uma curvatura na perna, geralmente na parte da frente da tíbia
- No laudo aparece “hemimelia fibular”, “deficiência longitudinal da fíbula” ou “agenesia de fíbula”
O que costuma vir junto
Entender isso ajuda a família a compreender por que o tratamento é mais complexo do que “falta um osso”:
- Encurtamento do membro — a perna afetada cresce menos, e a diferença tende a aumentar ao longo do crescimento, porque o membro afetado cresce em ritmo proporcionalmente menor
- Deformidade do tornozelo, geralmente em valgo, com o pé virado para fora
- Ausência de raios laterais do pé — falta de um ou dois dedos e dos ossos correspondentes
- Curvatura da tíbia, com frequência anterior
- Instabilidade do joelho, incluindo ausência de ligamentos cruzados em parte dos casos
- Encurtamento do fêmur associado, em alguns pacientes
A gravidade varia muito: de uma fíbula apenas encurtada, com pé bem formado, até a ausência completa da fíbula com pé gravemente alterado e pouco funcional.
Os caminhos de tratamento
Aqui a página precisa ser especialmente cuidadosa, porque envolve uma decisão difícil. O papel do texto é explicar as opções que existem, não indicar nenhuma.
Caminho 1 — Alongamento e reconstrução
Cirurgias de alongamento ósseo, geralmente com fixadores externos, ganham comprimento ao longo de meses. Podem ser combinadas com correção do tornozelo e do eixo da perna.
O que a família precisa saber: costuma exigir mais de uma etapa ao longo da infância e adolescência, com longos períodos de fixador externo, reabilitação intensa e riscos de complicação. É um caminho longo, e é escolhido por muitas famílias com bons resultados.
Caminho 2 — Amputação de Syme ou de Boyd com protetização precoce
Em casos de deficiência grave, com pé pouco funcional e discrepância muito grande, a equipe pode discutir a amputação do pé em nível de Syme e a adaptação de prótese ainda na primeira infância.
Para uma família que acabou de ouvir isso, soa devastador. Vale contextualizar com honestidade: crianças protetizadas precocemente nesse nível costumam apresentar excelente resultado funcional, andando, correndo e praticando esporte, com número muito menor de cirurgias ao longo da vida do que no caminho do alongamento.
Isso não torna a decisão fácil nem óbvia — ela é profundamente pessoal, envolve valores da família e deve ser tomada com o ortopedista pediátrico, idealmente com uma segunda opinião e conversa com outras famílias que passaram por ambos os caminhos.
Caminho 3 — Acompanhamento e compensação
Em casos leves, com pé funcional e discrepância pequena, pode-se acompanhar o crescimento e compensar a diferença com palmilha ou calçado com alteamento, considerando procedimentos menores mais adiante.
Protetização e órteses
Conforme o caminho escolhido:
- Prótese após Syme — encaixe específico para esse nível, com pé protético de perfil baixo. Em criança, exige acompanhamento e trocas frequentes pelo crescimento.
- Órtese de compensação de altura — para discrepâncias moderadas
- Palmilha com alteamento — para diferenças pequenas
- AFO ou KAFO — quando há instabilidade de tornozelo ou joelho
- Prótese de extensão — dispositivo que acomoda o pé em posição equina e compensa comprimento, usado em situações específicas
Perguntas frequentes
Meu filho vai andar?
Sim, na esmagadora maioria dos casos — seja com o membro reconstruído, seja com prótese. A discussão não é se vai andar, e sim qual caminho oferece melhor função com menos intervenções.
A diferença de comprimento vai aumentar?
Costuma aumentar ao longo do crescimento, porque o membro afetado cresce proporcionalmente menos. Por isso o acompanhamento com ortopedista pediátrico é contínuo, com previsão da discrepância na maturidade esquelética.
Amputar o pé do meu filho?
Isso é mesmo uma opção? É uma opção discutida em casos graves, e a reação de espanto é natural. Antes de qualquer decisão, converse com o ortopedista pediátrico, busque uma segunda opinião e — se possível — converse com famílias que seguiram os dois caminhos. Não existe pressa que justifique decidir sem informação suficiente.
Isso é hereditário?
A hemimelia fibular geralmente ocorre de forma isolada, sem histórico familiar. O aconselhamento genético pode ser indicado em casos com outras malformações associadas.
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Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.
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