A amputação de Gritti-Stokes é uma técnica em que o fêmur é seccionado logo acima dos côndilos e a patela — o osso da rótula — é fundida à extremidade do fêmur, criando uma superfície ampla e resistente para o apoio do peso.
Ela ocupa um lugar intermediário entre a amputação transfemoral e a desarticulação de joelho.
Este é o seu caso?
Provavelmente sim, se:
- A amputação foi na coxa, logo acima do joelho
- O coto termina com extremidade larga e achatada, e você consegue apoiar peso diretamente nela
- No laudo aparece “amputação de Gritti-Stokes”, “amputação supracondiliana com artrodese patelar” ou “amputação transcondiliana”
O que a técnica busca resolver
A amputação transfemoral convencional tem uma limitação conhecida: a extremidade do coto não suporta carga direta. O osso foi seccionado transversalmente e a área de contato é pequena e sensível, então todo o peso do corpo precisa ser transferido pelo encaixe, com apoio no ísquio e nas paredes laterais. É isso que torna o encaixe transfemoral desconfortável para muita gente.
A Gritti-Stokes tenta resolver isso trazendo a patela para cobrir a extremidade do fêmur. A patela é um osso plano, largo, revestido por cartilagem e projetado para receber carga. Fundida ao fêmur, cria uma superfície de apoio terminal.
O que a técnica oferece:
- Apoio terminal, com carga direta na extremidade e menos dependência do apoio isquiático
- Coto longo, com ótimo braço de alavanca para controlar a prótese
- Boa cobertura de tecido, geralmente com cicatrização favorável — razão pela qual foi historicamente usada em pacientes vasculares
As limitações:
- Possibilidade de a artrodese não consolidar ou de a patela migrar, o que compromete o apoio terminal e pode exigir reoperação
- Comprimento excessivo do coto, o mesmo problema geométrico da desarticulação de joelho: o joelho protético precisa ser montado abaixo do nível do joelho do outro lado
- Técnica pouco difundida, com menos cirurgiões familiarizados hoje
Causas e indicações
- Isquemia de membro inferior em pacientes vasculares, quando a amputação transtibial não é viável mas se busca preservar comprimento
- Trauma com destruição da perna e preservação da coxa
- Situações em que a desarticulação de joelho não é possível, mas se deseja apoio terminal
- Infecção grave da perna
Prótese indicada
- Encaixe com contenção, projetado para aproveitar o apoio terminal e reduzir a carga sobre o ísquio. Como a extremidade é mais larga, pode exigir parede flexível ou janela.
- Joelho protético de perfil baixo — preferencialmente policêntrico, pelo mesmo motivo da desarticulação de joelho: compensar a montagem baixa e manter o eixo alinhado com o joelho contralateral
- Pé protético conforme o nível de atividade
- Suspensão — o comprimento e a conformação do coto costumam facilitar, reduzindo a dependência de cintos
Reabilitação
- Descarga terminal progressiva, respeitando o tempo de consolidação da artrodese
- Cuidado com a pele sobre a patela, que agora recebe carga direta
- Prevenção de contratura em flexão do quadril
- Fortalecimento de quadril, glúteos e tronco
- Treino de controle do joelho protético
- Treino de marcha com atenção ao alinhamento
O gasto energético fica entre o da transfemoral convencional e o da desarticulação de joelho, favorecido pelo comprimento do coto e pela boa alavanca.
Perguntas frequentes
Por que escolheram essa técnica no meu caso?
Geralmente pela combinação de preservar comprimento e obter apoio terminal, especialmente quando a desarticulação de joelho não era viável. Vale perguntar ao cirurgião — entender a lógica ajuda na reabilitação.
Vou conseguir apoiar o peso na ponta do coto?
É o objetivo da técnica, quando a fusão da patela consolida bem. A descarga é progressiva e orientada pela equipe.
Meu joelho protético vai ficar mais baixo que o outro?
É o mesmo desafio da desarticulação de joelho. Joelhos de perfil baixo minimizam bastante a diferença. Comente essa preocupação na avaliação — ela influencia a escolha do componente.
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Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.
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