A amputação de Gritti-Stokes é uma técnica em que o fêmur é seccionado logo acima dos côndilos e a patela — o osso da rótula — é fundida à extremidade do fêmur, criando uma superfície ampla e resistente para o apoio do peso.

Ela ocupa um lugar intermediário entre a amputação transfemoral e a desarticulação de joelho.

01Avaliação do nívelAnatomia e objetivos funcionais
02Encaixe e componentesConforto, segurança e mobilidade
03ReabilitaçãoTreino para atividades diárias
Guia 4Bionic

Este é o seu caso?

Provavelmente sim, se:

  • A amputação foi na coxa, logo acima do joelho
  • O coto termina com extremidade larga e achatada, e você consegue apoiar peso diretamente nela
  • No laudo aparece “amputação de Gritti-Stokes”, “amputação supracondiliana com artrodese patelar” ou “amputação transcondiliana”
Guia 4Bionic

O que a técnica busca resolver

A amputação transfemoral convencional tem uma limitação conhecida: a extremidade do coto não suporta carga direta. O osso foi seccionado transversalmente e a área de contato é pequena e sensível, então todo o peso do corpo precisa ser transferido pelo encaixe, com apoio no ísquio e nas paredes laterais. É isso que torna o encaixe transfemoral desconfortável para muita gente.

A Gritti-Stokes tenta resolver isso trazendo a patela para cobrir a extremidade do fêmur. A patela é um osso plano, largo, revestido por cartilagem e projetado para receber carga. Fundida ao fêmur, cria uma superfície de apoio terminal.

O que a técnica oferece:

  • Apoio terminal, com carga direta na extremidade e menos dependência do apoio isquiático
  • Coto longo, com ótimo braço de alavanca para controlar a prótese
  • Boa cobertura de tecido, geralmente com cicatrização favorável — razão pela qual foi historicamente usada em pacientes vasculares

As limitações:

  • Possibilidade de a artrodese não consolidar ou de a patela migrar, o que compromete o apoio terminal e pode exigir reoperação
  • Comprimento excessivo do coto, o mesmo problema geométrico da desarticulação de joelho: o joelho protético precisa ser montado abaixo do nível do joelho do outro lado
  • Técnica pouco difundida, com menos cirurgiões familiarizados hoje
Guia 4Bionic

Causas e indicações

  • Isquemia de membro inferior em pacientes vasculares, quando a amputação transtibial não é viável mas se busca preservar comprimento
  • Trauma com destruição da perna e preservação da coxa
  • Situações em que a desarticulação de joelho não é possível, mas se deseja apoio terminal
  • Infecção grave da perna
Guia 4Bionic

Prótese indicada

  • Encaixe com contenção, projetado para aproveitar o apoio terminal e reduzir a carga sobre o ísquio. Como a extremidade é mais larga, pode exigir parede flexível ou janela.
  • Joelho protético de perfil baixo — preferencialmente policêntrico, pelo mesmo motivo da desarticulação de joelho: compensar a montagem baixa e manter o eixo alinhado com o joelho contralateral
  • Pé protético conforme o nível de atividade
  • Suspensão — o comprimento e a conformação do coto costumam facilitar, reduzindo a dependência de cintos
Guia 4Bionic

Reabilitação

  • Descarga terminal progressiva, respeitando o tempo de consolidação da artrodese
  • Cuidado com a pele sobre a patela, que agora recebe carga direta
  • Prevenção de contratura em flexão do quadril
  • Fortalecimento de quadril, glúteos e tronco
  • Treino de controle do joelho protético
  • Treino de marcha com atenção ao alinhamento

O gasto energético fica entre o da transfemoral convencional e o da desarticulação de joelho, favorecido pelo comprimento do coto e pela boa alavanca.

Orientações rápidas

Perguntas frequentes

Por que escolheram essa técnica no meu caso?

Geralmente pela combinação de preservar comprimento e obter apoio terminal, especialmente quando a desarticulação de joelho não era viável. Vale perguntar ao cirurgião — entender a lógica ajuda na reabilitação.

Vou conseguir apoiar o peso na ponta do coto?

É o objetivo da técnica, quando a fusão da patela consolida bem. A descarga é progressiva e orientada pela equipe.

Meu joelho protético vai ficar mais baixo que o outro?

É o mesmo desafio da desarticulação de joelho. Joelhos de perfil baixo minimizam bastante a diferença. Comente essa preocupação na avaliação — ela influencia a escolha do componente.

Guia 4Bionic

Conteúdos relacionados

Charles Oliveira Costa, fisioterapeuta e diretor clínico da 4Bionic
Conteúdo revisado por Charles Oliveira Costa

Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.

Atendimento em Belo Horizonte

Converse com a equipe da 4Bionic

Tire suas dúvidas e agende uma avaliação individual para entender as opções adequadas ao seu caso.

Falar pelo WhatsApp