A amputação de Pirogoff é uma variante rara das amputações ao nível do tornozelo. Nela, o pé é removido, uma porção do calcâneo é seccionada, rodada e fundida à tíbia, preservando o coxim gorduroso do calcanhar na extremidade do coto.

É pouco realizada e você provavelmente não encontrou explicação sobre ela em nenhum outro lugar.

01Avaliação do nívelAnatomia e objetivos funcionais
02Encaixe e componentesConforto, segurança e mobilidade
03ReabilitaçãoTreino para atividades diárias
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Este é o seu caso?

Provavelmente sim, se:

  • O pé foi removido na altura do tornozelo
  • O coto termina com extremidade que suporta peso diretamente
  • No laudo aparece “amputação de Pirogoff” ou “artrodese tibiocalcaneana com rotação”
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A lógica da técnica

As três amputações ao nível do tornozelo — Syme, Boyd e Pirogoff — perseguem o mesmo objetivo: manter o coxim gorduroso do calcanhar na extremidade do coto, porque essa almofada de tecido é a única estrutura do corpo naturalmente projetada para receber a carga do peso corporal.

O que muda entre elas é o que se faz com o calcâneo:

A rotação na Pirogoff reposiciona o coxim de forma a ficar diretamente sob a tíbia, criando uma superfície de apoio terminal estável. O comprimento resultante fica entre o da Syme e o do Boyd.

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Vantagens e limitações

A favor:

  • Apoio terminal direto e estável, com o coxim mantido em posição
  • Preservação de bom comprimento do membro, com gasto energético baixo para caminhar
  • Autonomia sem prótese para deslocamentos curtos dentro de casa
  • Menos risco de migração do coxim do que na Syme

Contra:

  • Técnica mais complexa e menos difundida, com menos cirurgiões familiarizados
  • Depende de consolidação da artrodese — se a fusão não pega, é preciso nova abordagem
  • Coto longo limita a escolha do pé protético
  • Literatura menos extensa que a das outras técnicas
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Causas e indicações

  • Trauma com destruição do pé e preservação do tornozelo
  • Infecção grave do pé
  • Complicações do pé diabético com circulação preservada no calcanhar
  • Tumores do pé
  • Casos em que o cirurgião busca apoio terminal com preservação de comprimento
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Prótese indicada

  • Encaixe de Syme, com janela removível ou parede flexível para permitir a entrada da extremidade alargada
  • Pé protético de perfil muito baixo
  • Suspensão autossuspensa pela conformação óssea, geralmente sem necessidade de cintos
  • Revestimento cosmético, quando a diferença de volume no tornozelo incomodar
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Reabilitação

  • Descarga progressiva na extremidade, respeitando o tempo de consolidação da artrodese
  • Inspeção rigorosa da pele sobre o coxim
  • Verificação de alinhamento, essencial para distribuir a carga adequadamente
  • Fortalecimento de perna, quadril e tronco
  • Treino de marcha, com boa evolução na maioria dos casos
Orientações rápidas

Perguntas frequentes

Nunca ouvi falar dessa amputação. É segura?

É uma técnica estabelecida na literatura, embora pouco realizada. Se ela foi indicada para você, houve uma razão anatômica específica. Vale conversar com o cirurgião sobre o porquê da escolha — entender ajuda muito na adesão ao tratamento.

Vou conseguir apoiar o peso na ponta do coto?

Esse é justamente o objetivo da técnica. O apoio terminal costuma ser bom, respeitando o tempo de consolidação da fusão óssea.

Qual a diferença para Syme e Boyd?

As três preservam o coxim do calcanhar. A diferença está no manejo do calcâneo: removido na Syme, preservado inteiro no Boyd, parcialmente preservado e rodado na Pirogoff. Isso altera o comprimento final e a estabilidade do apoio.

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Charles Oliveira Costa, fisioterapeuta e diretor clínico da 4Bionic
Conteúdo revisado por Charles Oliveira Costa

Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.

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