A hemimelia tibial — deficiência longitudinal da tíbia — é a ausência total ou parcial da tíbia, o osso principal da perna. É bem mais rara que a hemimelia fibular e costuma ser mais grave, porque a tíbia é o osso que sustenta o peso do corpo.
Este é o caso do seu filho?
Provavelmente sim, se:
- Uma perna é curta e o pé está virado para dentro (em varo), com aspecto característico
- Pode haver ausência de dedos do lado interno do pé
- O joelho pode ser instável ou não estender completamente
- No laudo aparece “hemimelia tibial”, “deficiência longitudinal da tíbia” ou “agenesia de tíbia”
Diferentemente da hemimelia fibular, esta condição tem componente hereditário mais frequente e pode estar associada a outras malformações — de mãos, de coluna e de outros sistemas. Por isso a investigação costuma ser mais ampla, incluindo avaliação genética.
O que determina o tratamento
Duas questões orientam a conduta, e vale explicá-las para a família entender as conversas que terá com o ortopedista:
A tíbia proximal existe? Se há uma porção da tíbia perto do joelho, existe base óssea para reconstruir a articulação, e as opções aumentam.
O quadríceps funciona? Se a musculatura da frente da coxa consegue estender o joelho, há chance de preservar uma articulação funcional. Se não funciona, um joelho preservado não sustentará o corpo.
Essas duas respostas, combinadas, orientam se o caminho será reconstrutivo ou se envolverá amputação em nível de joelho.
Os caminhos possíveis
Novamente: a página explica as opções, sem indicar conduta.
Reconstrução — cirurgias que aproveitam a fíbula para substituir a função da tíbia, correção do eixo do pé e alongamento em etapas. Indicada quando há tíbia proximal e função do quadríceps.
Desarticulação de joelho com protetização — considerada quando não há tíbia proximal ou quando o quadríceps não funciona. A desarticulação de joelho é um nível protético favorável, com boa suspensão, apoio terminal e bom prognóstico de marcha, especialmente quando a protetização é precoce.
Amputação de Syme — em casos com boa tíbia proximal e joelho funcional, mas pé inviável.
Acompanhamento com compensação — em casos leves, com tíbia apenas encurtada.
Protetização
- Prótese de desarticulação de joelho infantil — com joelho protético de perfil baixo, adaptado ao tamanho da criança
- Prótese de Syme infantil
- Órteses de estabilização — KAFO, quando há instabilidade de joelho
- Compensação de altura — nos casos leves
Em crianças, um detalhe técnico relevante: as desarticulações são preferíveis às amputações através do osso sempre que possível, porque o osso seccionado de uma criança pode continuar crescendo na extremidade do coto — um fenômeno chamado sobrecrescimento ósseo, que pode perfurar a pele e exigir reoperações. Desarticulações não apresentam esse problema.
Perguntas frequentes
Meu filho vai conseguir andar?
Sim, na grande maioria dos casos, com o caminho adequado. A protetização precoce em crianças costuma ter resultado funcional muito bom, porque a criança aprende a andar já com a prótese, sem ter que readaptar nada.
Por que essa condição pede investigação genética?
Porque a hemimelia tibial tem associação mais frequente com outras malformações e com padrões hereditários. A investigação orienta o acompanhamento e o aconselhamento familiar.
Meu filho vai precisar de muitas cirurgias?
Depende do caminho escolhido. Caminhos reconstrutivos costumam envolver múltiplas etapas ao longo do crescimento. Caminhos com protetização precoce tendem a envolver menos cirurgias, com revisões pontuais.
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Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.
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