A amputação interescapulotorácica é a remoção do membro superior junto com a escápula e a clavícula. Em inglês é chamada de forequarter amputation. É o nível mais alto de amputação de membro superior.
Este é o seu caso?
Provavelmente sim, se:
- O braço foi removido junto com o osso do ombro
- O contorno do ombro do lado operado desapareceu, deixando o tórax com aparência assimétrica e plana naquela região
- Não existe coto de braço nem saliência do ombro
- No laudo aparece “amputação interescapulotorácica” ou “amputação de quarto anterior”
Se o braço foi removido mas o contorno do ombro foi preservado, o seu caso é desarticulação de ombro.
Causas
É um procedimento raro, indicado em situações graves:
- Tumores ósseos ou de partes moles da cintura escapular e do úmero proximal
- Trauma de altíssima energia com avulsão do membro
- Infecção extensa não controlável
- Lesão vascular irreparável da região
Prótese indicada
A protetização neste nível é desafiadora por dois motivos: não há coto para encaixe nem musculatura remanescente para comandar movimentos, e não há apoio ósseo do ombro para sustentar o peso do equipamento.
Prótese estética de ombro e braço
É a opção mais frequente e, em muitos casos, a mais satisfatória. Consiste em uma peça leve que reconstrói o contorno do ombro e do braço, feita em espuma modelada e silicone.
O que ela resolve:
- Restaura a simetria dos ombros, o que muda completamente o caimento da roupa
- Devolve o contorno sob camisa e paletó
- Melhora a distribuição de peso e ajuda a reduzir a inclinação compensatória do tronco
- Tem impacto real na imagem corporal e na disposição para retomar a vida social
Prótese com ombro protético e componentes ativos
Tecnicamente possível, com articulação de ombro posicionável, cotovelo e terminal. O acionamento se faz por cabos ligados ao ombro contralateral ou por chaves e comandos manuais.
Na prática, o uso funcional é limitado. O peso é considerável, a suspensão sobre o tórax é difícil de tolerar por muitas horas e as taxas de abandono são altas. Isso deve ser conversado abertamente antes de investir.
Sistema de suspensão
Como não há coto, a prótese se apoia sobre o tórax, com correias que passam pelo ombro preservado e ao redor do tronco. O conforto do arnês é o fator que mais determina se a prótese será usada.
Reabilitação
O foco não é a prótese — é o corpo:
- Fortalecimento do lado preservado e do tronco
- Prevenção de sobrecarga do membro preservado, que passará a fazer tudo sozinho. Este é um ponto sério: lesões por esforço repetitivo no lado remanescente são comuns e comprometem a independência a longo prazo
- Treino de estratégias unilaterais para as atividades diárias, com apoio de terapia ocupacional
- Adaptações de ambiente e utensílios
- Cuidado com a postura e prevenção de escoliose compensatória
- Manejo de dor fantasma, comum nesse nível
- Suporte psicológico
Perguntas frequentes
Vale a pena colocar prótese se ela não vai se mover?
Para muita gente, sim. O ganho de simetria, o caimento da roupa e o efeito sobre a imagem corporal são resultados concretos, não secundários. A decisão é pessoal e deve ser tomada sem pressão.
Vou conseguir fazer minhas atividades sozinho?
A maioria das pessoas com amputação unilateral desenvolve grande independência com o membro preservado, com apoio de terapia ocupacional e adaptações. Proteger esse membro preservado é prioridade.
Sinto o braço que não existe mais. É normal?
Sim. Sensação e dor fantasma são frequentes, principalmente em níveis altos. Existem abordagens de tratamento e vale relatar o sintoma na avaliação.
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Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.
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