A deficiência femoral congênita — conhecida também pela sigla PFFD, de Proximal Femoral Focal Deficiency — é uma alteração do desenvolvimento do fêmur, o osso da coxa, e frequentemente também do quadril.

01CrescimentoAcompanhamento em cada fase
02Família e criançaDecisões construídas em conjunto
03DesenvolvimentoBrincar, aprender e ganhar autonomia
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Este é o caso do seu filho?

Provavelmente sim, se:

  • Uma coxa é visivelmente mais curta e mais grossa que a outra desde o nascimento
  • A perna afetada fica em posição característica: flexionada, virada para fora e afastada do corpo
  • A diferença de comprimento é grande e evidente já nos primeiros meses
  • Pode haver instabilidade do quadril
  • No laudo aparece “deficiência femoral focal proximal”, “PFFD” ou “deficiência femoral congênita”

Em parte dos casos, vem acompanhada de hemimelia fibular no mesmo membro — as duas condições se associam com alguma frequência.

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Os graus de gravidade

A gravidade varia enormemente, e existem classificações que orientam a conduta. Do mais leve ao mais grave, os fatores que importam são:

  • O quanto o fêmur está encurtado
  • Se a cabeça do fêmur existe e está no lugar — se a articulação do quadril se formou
  • Se há conexão óssea entre a parte de cima e a parte de baixo do fêmur
  • A estabilidade do joelho

Em casos leves, há apenas encurtamento com quadril estável. Em casos graves, praticamente não há fêmur proximal e o quadril não se formou.

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Os caminhos de tratamento

Alongamento em etapas — indicado em casos leves a moderados, com quadril estável e discrepância que se projeta como recuperável. Envolve fixadores externos e várias cirurgias ao longo do crescimento.

Estabilização do quadril — cirurgias que melhoram a articulação, frequentemente combinadas com alongamento.

Prótese de extensão — dispositivo que acomoda o membro curto, com o pé em posição equina dentro do encaixe, compensando o comprimento sem cirurgia. É uma opção usada em crianças pequenas e em casos em que não se opta por cirurgia.

Artrodese de joelho com amputação de pé (Syme ou Boyd) — converte funcionalmente o membro em um coto único, protetizado como transfemoral. Reduz o número de segmentos instáveis.

Rotationplasty (rotação de Van Nes) — procedimento em que a parte inferior da perna é rodada 180 graus e fixada, de modo que o tornozelo passa a funcionar como joelho dentro da prótese. Soa estranho à primeira vista, e a aparência do membro é incomum, mas o resultado funcional é notavelmente bom: o paciente ganha um joelho ativo, com controle muscular próprio, o que melhora bastante a marcha em relação a um joelho protético passivo.

É um procedimento discutido em casos selecionados e a decisão envolve considerações funcionais e de aceitação da aparência — o que precisa ser conversado com a família e, quando a idade permite, com a própria criança.

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Protetização

  • Prótese de extensão, nos casos sem cirurgia
  • Prótese transfemoral, após artrodese com amputação de pé
  • Prótese após rotationplasty, com encaixe específico que aproveita o movimento do tornozelo rodado
  • Compensação de altura, com alteamento de calçado, nos casos leves
  • KAFO, quando há instabilidade de joelho
Orientações rápidas

Perguntas frequentes

Meu filho vai andar?

Sim, na grande maioria dos casos. O caminho varia, mas a marcha funcional é o objetivo alcançado na maior parte dos pacientes.

Rotationplasty é mesmo uma opção real?

É um procedimento estabelecido e com bons resultados funcionais documentados, usado também em cirurgia oncológica. A grande questão costuma ser a aparência do membro, que é incomum. Vale conversar com o ortopedista e, se possível, com famílias que passaram por isso.

Quantas cirurgias meu filho vai precisar?

Depende do grau e do caminho. Caminhos de alongamento costumam envolver várias etapas. Caminhos com protetização precoce costumam envolver menos.

Quando decidir?

Boa parte das decisões é tomada nos primeiros anos, mas não há necessidade de decidir tudo de uma vez. O acompanhamento com ortopedista pediátrico permite reavaliar conforme a criança cresce e a projeção de discrepância fica mais clara.

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Charles Oliveira Costa, fisioterapeuta e diretor clínico da 4Bionic
Conteúdo revisado por Charles Oliveira Costa

Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.

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