A amputação de Lisfranc é a desarticulação na articulação tarsometatársica — a linha que separa os ossos do meio do pé dos metatarsos. Todo o antepé é removido e o mediopé e o retropé são preservados.
Este é o seu caso?
Provavelmente sim, se:
- A parte da frente do pé foi removida, incluindo todos os dedos
- O calcanhar e o meio do pé foram preservados — sobrou mais pé do que numa amputação de Chopart
- Você apoia o peso normalmente no calcanhar e em parte da planta
- No laudo aparece “amputação de Lisfranc” ou “desarticulação tarsometatársica”
A diferença para a Chopart: na Lisfranc sobra mais pé, o que costuma significar melhor apoio e menor risco de deformidade — embora o risco de equino também exista aqui, em grau menor.
Causas
- Pé diabético com necrose ou infecção do antepé — é a causa mais frequente
- Trauma por esmagamento do antepé
- Congelamento e queimaduras graves
- Infecção do antepé
- Sequela de fratura-luxação de Lisfranc com necrose
Prótese indicada
Como a perda é do antepé, o objetivo é restaurar comprimento, distribuir a pressão e recuperar a propulsão:
- Palmilha customizada com preenchimento de antepé — feita sob medida, preenche o espaço vazio no calçado e distribui a carga
- Prótese parcial de pé em silicone — restaura o contorno do pé, permitindo uso de calçado comum em muitos casos e com bom resultado estético
- Calçado com solado em balancim — compensa a perda da alavanca de propulsão e reduz a pressão sobre a extremidade do coto
- Órtese suropodálica (AFO) com preenchimento — indicada quando há tendência à deformidade em equino ou instabilidade
- Encaixe de contato total tipo bota — em casos de coto sensível ou com risco de ferida
Cuidado com a pele — atenção redobrada em pessoas com diabetes
A extremidade do coto passa a receber carga em uma região que não foi feita para isso. Em pessoas com neuropatia diabética, a sensibilidade reduzida faz com que uma ferida se instale sem dor perceptível.
- Inspecione o coto diariamente, com espelho se necessário
- Nunca use calçado sem a palmilha ou prótese prescrita
- Procure o serviço ao primeiro sinal de vermelhidão persistente, bolha ou calosidade
- Revise a palmilha periodicamente: material comprimido perde a capacidade de distribuir pressão
Reabilitação
- Alongamento do tríceps sural, prevenindo o equino
- Fortalecimento da musculatura remanescente do pé e da perna
- Treino de marcha com foco na fase de propulsão
- Treino de equilíbrio, já que a base de apoio diminuiu
- Educação sobre inspeção diária e escolha de calçado
Perguntas frequentes
Consigo usar calçado normal?
Em muitos casos sim, com a palmilha ou a prótese de silicone dentro do calçado. Alguns precisam de calçado de numeração maior ou adaptado.
Vou mancar?
É comum alguma alteração da marcha pela perda da propulsão do antepé. Palmilha adequada e solado em balancim reduzem bastante essa alteração.
A amputação de Lisfranc pode evoluir para uma amputação maior?
Pode acontecer, principalmente em pessoas com diabetes e circulação comprometida, quando surgem novas feridas. É exatamente por isso que o cuidado diário com a pele e o uso correto da palmilha são tão importantes.
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Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.
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