A amputação de Lisfranc é a desarticulação na articulação tarsometatársica — a linha que separa os ossos do meio do pé dos metatarsos. Todo o antepé é removido e o mediopé e o retropé são preservados.

01Avaliação do nívelAnatomia e objetivos funcionais
02Encaixe e componentesConforto, segurança e mobilidade
03ReabilitaçãoTreino para atividades diárias
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Este é o seu caso?

Provavelmente sim, se:

  • A parte da frente do pé foi removida, incluindo todos os dedos
  • O calcanhar e o meio do pé foram preservados — sobrou mais pé do que numa amputação de Chopart
  • Você apoia o peso normalmente no calcanhar e em parte da planta
  • No laudo aparece “amputação de Lisfranc” ou “desarticulação tarsometatársica”

A diferença para a Chopart: na Lisfranc sobra mais pé, o que costuma significar melhor apoio e menor risco de deformidade — embora o risco de equino também exista aqui, em grau menor.

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Causas

  • Pé diabético com necrose ou infecção do antepé — é a causa mais frequente
  • Trauma por esmagamento do antepé
  • Congelamento e queimaduras graves
  • Infecção do antepé
  • Sequela de fratura-luxação de Lisfranc com necrose
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Prótese indicada

Como a perda é do antepé, o objetivo é restaurar comprimento, distribuir a pressão e recuperar a propulsão:

  • Palmilha customizada com preenchimento de antepé — feita sob medida, preenche o espaço vazio no calçado e distribui a carga
  • Prótese parcial de pé em silicone — restaura o contorno do pé, permitindo uso de calçado comum em muitos casos e com bom resultado estético
  • Calçado com solado em balancim — compensa a perda da alavanca de propulsão e reduz a pressão sobre a extremidade do coto
  • Órtese suropodálica (AFO) com preenchimento — indicada quando há tendência à deformidade em equino ou instabilidade
  • Encaixe de contato total tipo bota — em casos de coto sensível ou com risco de ferida
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Cuidado com a pele — atenção redobrada em pessoas com diabetes

A extremidade do coto passa a receber carga em uma região que não foi feita para isso. Em pessoas com neuropatia diabética, a sensibilidade reduzida faz com que uma ferida se instale sem dor perceptível.

  • Inspecione o coto diariamente, com espelho se necessário
  • Nunca use calçado sem a palmilha ou prótese prescrita
  • Procure o serviço ao primeiro sinal de vermelhidão persistente, bolha ou calosidade
  • Revise a palmilha periodicamente: material comprimido perde a capacidade de distribuir pressão
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Reabilitação

  • Alongamento do tríceps sural, prevenindo o equino
  • Fortalecimento da musculatura remanescente do pé e da perna
  • Treino de marcha com foco na fase de propulsão
  • Treino de equilíbrio, já que a base de apoio diminuiu
  • Educação sobre inspeção diária e escolha de calçado
Orientações rápidas

Perguntas frequentes

Consigo usar calçado normal?

Em muitos casos sim, com a palmilha ou a prótese de silicone dentro do calçado. Alguns precisam de calçado de numeração maior ou adaptado.

Vou mancar?

É comum alguma alteração da marcha pela perda da propulsão do antepé. Palmilha adequada e solado em balancim reduzem bastante essa alteração.

A amputação de Lisfranc pode evoluir para uma amputação maior?

Pode acontecer, principalmente em pessoas com diabetes e circulação comprometida, quando surgem novas feridas. É exatamente por isso que o cuidado diário com a pele e o uso correto da palmilha são tão importantes.

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Charles Oliveira Costa, fisioterapeuta e diretor clínico da 4Bionic
Conteúdo revisado por Charles Oliveira Costa

Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.

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