A deficiência femoral congênita — conhecida também pela sigla PFFD, de Proximal Femoral Focal Deficiency — é uma alteração do desenvolvimento do fêmur, o osso da coxa, e frequentemente também do quadril.
Este é o caso do seu filho?
Provavelmente sim, se:
- Uma coxa é visivelmente mais curta e mais grossa que a outra desde o nascimento
- A perna afetada fica em posição característica: flexionada, virada para fora e afastada do corpo
- A diferença de comprimento é grande e evidente já nos primeiros meses
- Pode haver instabilidade do quadril
- No laudo aparece “deficiência femoral focal proximal”, “PFFD” ou “deficiência femoral congênita”
Em parte dos casos, vem acompanhada de hemimelia fibular no mesmo membro — as duas condições se associam com alguma frequência.
Os graus de gravidade
A gravidade varia enormemente, e existem classificações que orientam a conduta. Do mais leve ao mais grave, os fatores que importam são:
- O quanto o fêmur está encurtado
- Se a cabeça do fêmur existe e está no lugar — se a articulação do quadril se formou
- Se há conexão óssea entre a parte de cima e a parte de baixo do fêmur
- A estabilidade do joelho
Em casos leves, há apenas encurtamento com quadril estável. Em casos graves, praticamente não há fêmur proximal e o quadril não se formou.
Os caminhos de tratamento
Alongamento em etapas — indicado em casos leves a moderados, com quadril estável e discrepância que se projeta como recuperável. Envolve fixadores externos e várias cirurgias ao longo do crescimento.
Estabilização do quadril — cirurgias que melhoram a articulação, frequentemente combinadas com alongamento.
Prótese de extensão — dispositivo que acomoda o membro curto, com o pé em posição equina dentro do encaixe, compensando o comprimento sem cirurgia. É uma opção usada em crianças pequenas e em casos em que não se opta por cirurgia.
Artrodese de joelho com amputação de pé (Syme ou Boyd) — converte funcionalmente o membro em um coto único, protetizado como transfemoral. Reduz o número de segmentos instáveis.
Rotationplasty (rotação de Van Nes) — procedimento em que a parte inferior da perna é rodada 180 graus e fixada, de modo que o tornozelo passa a funcionar como joelho dentro da prótese. Soa estranho à primeira vista, e a aparência do membro é incomum, mas o resultado funcional é notavelmente bom: o paciente ganha um joelho ativo, com controle muscular próprio, o que melhora bastante a marcha em relação a um joelho protético passivo.
É um procedimento discutido em casos selecionados e a decisão envolve considerações funcionais e de aceitação da aparência — o que precisa ser conversado com a família e, quando a idade permite, com a própria criança.
Protetização
- Prótese de extensão, nos casos sem cirurgia
- Prótese transfemoral, após artrodese com amputação de pé
- Prótese após rotationplasty, com encaixe específico que aproveita o movimento do tornozelo rodado
- Compensação de altura, com alteamento de calçado, nos casos leves
- KAFO, quando há instabilidade de joelho
Perguntas frequentes
Meu filho vai andar?
Sim, na grande maioria dos casos. O caminho varia, mas a marcha funcional é o objetivo alcançado na maior parte dos pacientes.
Rotationplasty é mesmo uma opção real?
É um procedimento estabelecido e com bons resultados funcionais documentados, usado também em cirurgia oncológica. A grande questão costuma ser a aparência do membro, que é incomum. Vale conversar com o ortopedista e, se possível, com famílias que passaram por isso.
Quantas cirurgias meu filho vai precisar?
Depende do grau e do caminho. Caminhos de alongamento costumam envolver várias etapas. Caminhos com protetização precoce costumam envolver menos.
Quando decidir?
Boa parte das decisões é tomada nos primeiros anos, mas não há necessidade de decidir tudo de uma vez. O acompanhamento com ortopedista pediátrico permite reavaliar conforme a criança cresce e a projeção de discrepância fica mais clara.
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Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.
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