A hemipelvectomia, também chamada de amputação transpélvica, é a remoção de todo o membro inferior junto com parte ou toda a metade correspondente da bacia. É o nível mais alto de amputação de membro inferior que existe.

01Planejamento individualPrioridades e segurança
02Evolução por etapasMetas funcionais progressivas
03Equipe especializadaPrótese e reabilitação integradas
Guia 4Bionic

Este é o seu caso?

Provavelmente sim, se:

  • Foi removida a perna inteira junto com parte do osso do quadril
  • Não existe coto de coxa — a região da virilha e da nádega do lado operado está alterada
  • Você se senta de forma assimétrica, porque falta parte da base óssea de um lado
  • No laudo aparece “hemipelvectomia”, “amputação transpélvica” ou “amputação interílio-abdominal”

Se a perna foi removida inteira mas a bacia foi preservada, o seu caso é desarticulação de quadril — um nível diferente, com prótese diferente.

Guia 4Bionic

Causas

A hemipelvectomia é rara e quase sempre indicada em situações graves:

  • Tumores ósseos ou de partes moles da pelve e da região proximal da coxa
  • Traumas de altíssima energia com destruição da pelve
  • Infecções extensas que não respondem a outros tratamentos
  • Recidiva tumoral em quem já havia passado por desarticulação de quadril
Guia 4Bionic

Prótese indicada

A prótese usada é do tipo canadense para hemipelvectomia. Ela precisa substituir três articulações — quadril, joelho e tornozelo — e, mais do que isso, precisa reconstruir a própria base de apoio do corpo, já que parte da bacia não existe mais.

Componentes principais:

  • Encaixe pélvico — molda-se sobre o tronco e a pelve remanescente, com apoio na região do tórax inferior e na crista ilíaca do lado preservado. É a peça mais delicada da montagem: sem estabilidade aqui, nada funciona.
  • Articulação de quadril — normalmente posicionada na frente e abaixo do encaixe, o que ajuda na estabilidade durante o apoio
  • Joelho protético — com preferência por modelos que oferecem alta segurança no apoio, incluindo joelhos com controle hidráulico ou microprocessado
  • Pé protético — com boa absorção de impacto
Guia 4Bionic

Expectativa realista

É importante ser direto sobre isso. A marcha com prótese de hemipelvectomia exige gasto energético muito elevado, e uma parcela significativa das pessoas nesse nível utiliza a prótese para deslocamentos curtos e situações específicas, mantendo a cadeira de rodas como meio principal de locomoção.

Isso não significa que a prótese não valha a pena. Além da função, ela tem papel importante na simetria ao sentar, no equilíbrio do tronco, na distribuição de pressão e na imagem corporal — que é uma questão real, não secundária.

Algumas pessoas nesse nível optam por uma prótese estética de contorno, sem finalidade de marcha, feita para restaurar a simetria do corpo sob a roupa e permitir sentar-se de forma equilibrada. É uma escolha legítima e deve ser discutida abertamente na avaliação.

Guia 4Bionic

Reabilitação

A reabilitação é longa e envolve equipe multiprofissional. Os focos principais:

  • Fortalecimento intenso de tronco, abdome e musculatura do lado preservado
  • Treino de equilíbrio sentado, que costuma estar comprometido
  • Cuidado rigoroso com pontos de pressão no encaixe
  • Treino progressivo de descarga de peso
  • Manejo de dor fantasma, frequente nesse nível
  • Suporte psicológico, indicado desde o início
Orientações rápidas

Perguntas frequentes

Vou conseguir andar de novo?

Depende de idade, condicionamento cardiorrespiratório, força de tronco e motivação. Algumas pessoas caminham distâncias funcionais com auxílio de muletas ou andador; outras usam a prótese de forma pontual. A avaliação individual é o que responde essa pergunta com honestidade.

Consigo prótese de hemipelvectomia pelo SUS?

Amputados têm direito à prótese pelo SUS mediante laudo médico e encaminhamento a um serviço habilitado. Próteses de níveis muito altos são mais complexas e a disponibilidade varia bastante conforme o serviço.

Quanto tempo depois da cirurgia posso ser protetizado?

Depende da cicatrização completa, da estabilização do volume dos tecidos e, em casos oncológicos, do momento do tratamento adjuvante. É uma decisão conjunta entre a equipe cirúrgica e a de reabilitação.

Guia 4Bionic

Conteúdos relacionados

Charles Oliveira Costa, fisioterapeuta e diretor clínico da 4Bionic
Conteúdo revisado por Charles Oliveira Costa

Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.

Atendimento em Belo Horizonte

Converse com a equipe da 4Bionic

Tire suas dúvidas e agende uma avaliação individual para entender as opções adequadas ao seu caso.

Falar pelo WhatsApp