A palmilha ortopédica é a órtese mais prescrita que existe. Ela atua na interface entre o pé e o chão, redistribuindo pressão, corrigindo alinhamento e absorvendo impacto.
Quando a palmilha é indicada
Dor no pé
- Fascite plantar e dor no calcanhar
- Metatarsalgia — dor na região da “sola da frente”
- Neuroma de Morton
- Esporão de calcâneo
- Dor no tendão de Aquiles
Alterações de formato do pé
- Pé plano (pé chato) — o arco desabado
- Pé cavo — arco excessivamente alto, que concentra a carga no calcanhar e no antepé
- Hálux valgo (joanete)
- Dedos em garra ou em martelo
Alterações de alinhamento
- Pronação ou supinação excessivas
- Discrepância de comprimento entre as pernas
- Alterações de joelho e quadril que se originam no apoio do pé
Situações de risco de lesão
- Pé diabético com neuropatia — aqui a palmilha é preventiva e o objetivo é evitar úlcera
- Artrite reumatoide, com deformidades e pontos de pressão
- Após amputação parcial de pé ou de dedos
Esporte
- Prevenção de lesão por sobrecarga
- Correção de alterações que aparecem sob esforço repetido
Tipos de palmilha
Por função:
- De acomodação — não corrige, apenas distribui pressão e protege. É o tipo indicado para pé diabético e pé rígido com deformidade estabelecida.
- Corretiva ou funcional — atua sobre o alinhamento, indicada quando ainda há flexibilidade
- De alívio — possui rebaixos ou recortes que retiram a carga de uma área específica, como uma úlcera em cicatrização
- De compensação — corrige diferença de comprimento entre os membros
Por confecção:
- Pré-fabricada — pronta, de baixo custo, para casos leves
- Sob medida — a partir de molde em espuma fenólica, gesso ou escaneamento tridimensional do pé. É o que permite acomodar deformidades e criar alívios em pontos específicos.
Como é feito o processo
- Avaliação — história clínica, exame do pé, análise do calçado usado e observação da marcha
- Exame de pressão plantar, quando indicado, mostrando onde a carga se concentra
- Molde — em espuma, gesso ou escaneamento
- Confecção — escolha dos materiais conforme peso, atividade e sensibilidade do paciente
- Prova e ajuste — a palmilha é testada e refinada
- Acompanhamento — retorno para verificar adaptação e desgaste
Adaptação e uso
- A adaptação é progressiva. Comece com poucas horas por dia e aumente gradualmente ao longo de uma a duas semanas.
- Algum desconforto leve inicial é comum. Dor, ferida ou dormência não são. Se acontecer, interrompa e retorne.
- Use sempre com meia e com o calçado adequado
- A palmilha precisa caber no calçado sem apertar. Palmilha certa no sapato errado não funciona.
- Palmilha tem vida útil. O material comprime e perde capacidade de amortecimento. Revise periodicamente, principalmente se você tem diabetes.
Perguntas frequentes
Palmilha resolve pé chato?
Em crianças e adolescentes, com o pé ainda flexível, pode auxiliar no alinhamento junto com fisioterapia. Em adultos com pé plano rígido, o objetivo passa a ser conforto e distribuição de carga, não correção da estrutura.
Preciso usar para sempre?
Depende. Em situações agudas, como fascite plantar, o uso pode ser temporário. Em deformidade estrutural, neuropatia ou após amputação parcial de pé, o uso costuma ser contínuo.
Palmilha comprada em farmácia serve?
Pode ajudar em desconforto leve e temporário. Para pé diabético, deformidade, dor persistente ou após amputação, palmilha genérica não cumpre a função e pode até criar novos pontos de pressão.
Posso usar em qualquer sapato?
Não. O calçado precisa ter profundidade e espaço suficientes. Sapato apertado com palmilha dentro aumenta a pressão, que é o oposto do objetivo.
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Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.
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