Na desarticulação de quadril, o fêmur é removido por completo na articulação coxofemoral, mas a bacia permanece íntegra. É o segundo nível mais alto de amputação de membro inferior.
Este é o seu caso?
Provavelmente sim, se:
- A perna foi removida inteira, mas o osso da bacia foi preservado
- Não existe coto de coxa para encaixar uma prótese convencional
- Você consegue se sentar com apoio simétrico nos dois lados
- No laudo aparece “desarticulação coxofemoral” ou “desarticulação de quadril”
A diferença para a hemipelvectomia está justamente aí: aqui a bacia foi mantida, o que preserva a base de apoio ao sentar e melhora bastante as opções de encaixe.
Em alguns casos, o cirurgião preserva um segmento muito curto de fêmur. Isso é chamado de amputação transfemoral muito curta e, do ponto de vista protético, costuma ser tratado de forma parecida com a desarticulação — mas o pouco de fêmur que sobra ajuda no controle da prótese e vale ser mencionado na avaliação.
Causas
- Tumores ósseos do fêmur proximal, especialmente osteossarcoma
- Traumas graves com destruição da articulação
- Infecção profunda e persistente, incluindo casos após prótese de quadril infectada
- Complicações vasculares extensas
- Falha de amputações transfemorais muito altas que precisaram ser revisadas
Prótese indicada
A prótese usada é a canadense de desarticulação de quadril, um sistema completo que substitui as três articulações do membro:
- Encaixe pélvico — envolve a bacia, com apoio principal no ísquio do lado amputado e contenção sobre as cristas ilíacas. A suspensão vem da própria conformação óssea da pelve.
- Articulação de quadril protética — geralmente montada à frente e abaixo do encaixe. Essa posição avançada é intencional: ela desloca a linha de carga para trás do eixo, o que torna o quadril mais estável durante o apoio e reduz o risco de flexão involuntária.
- Joelho protético — a escolha aqui é decisiva. Joelhos policêntricos oferecem boa estabilidade no início do apoio. Joelhos com controle hidráulico permitem variar a velocidade da marcha. Joelhos microprocessados aumentam bastante a segurança contra quedas e o conforto em rampas e escadas, com custo proporcionalmente mais alto.
- Pé protético — modelos com boa absorção de impacto e retorno de energia ajudam a compensar o esforço.
O movimento da prótese é comandado principalmente pela báscula da pelve e pelo tronco. Não existe musculatura de coxa para controlar o joelho, então a pessoa aprende a lançar a prótese à frente com um movimento coordenado de pelve e uma leve extensão de tronco.
Reabilitação
O treino é diferente do de outros níveis. O foco não está em fortalecer a perna que não existe mais, e sim em ensinar o corpo a comandar a prótese por outra via:
- Fortalecimento de tronco, glúteos do lado preservado, abdome e musculatura paravertebral
- Treino de báscula pélvica — o gesto que “joga” a prótese para frente
- Controle de tronco e equilíbrio em pé
- Treino de marcha inicialmente entre barras paralelas, depois com andador ou muletas
- Treino de sentar e levantar, que exige estratégia própria
- Cuidado com pontos de pressão: crista ilíaca, ísquio e região sacral
O gasto energético é alto, geralmente acima de 80% a mais que a marcha normal. Por isso o condicionamento cardiorrespiratório faz parte do tratamento, não é um extra.
Perguntas frequentes
Vou conseguir andar sem muletas?
É possível para algumas pessoas, principalmente jovens, com bom condicionamento e sem outras limitações. Muitos permanecem com apoio de bengala ou muleta, o que não é fracasso — é o que torna a marcha segura e sustentável no dia a dia.
Dá para sentar normalmente com essa prótese?
Sim. A articulação de quadril protética flexiona, permitindo sentar. Algumas pessoas preferem retirar a prótese para dirigir ou para períodos longos sentadas.
Quanto tempo leva a adaptação?
É um dos níveis que exige mais tempo. Semanas até os primeiros passos assistidos e vários meses até uma marcha funcional consistente é uma expectativa realista.
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Fisioterapeuta — CREFITO-4 nº 34657, responsável técnico e diretor clínico da 4Bionic. Revisado em agosto de 2026.
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